sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mãe Preta fala aos filho: o campo da unidade





            Vô Gonda sempre dizia que perto da aldeia existia um campo que todos nóis devia de freqüenta seguidamente. Naquele campo num existia certo nem errado, num existia culpado nem vítima, num existia julgamento, num existia proibição nem restrição a ninguém. Lá todos podiam se encontrar e viver em unidade, apesar da diversidade. Lá ninguém é contra nada nem contra ninguém. E ele sempre dizia prus fio:

         - Se ocê quiser falar comigo, me encontre lá.

           Ele sempre falava a nóis pra que vivêssemos que nem um guarda-chuva. Ocê sabe o que é um guarda-chuva? É a sua cabeça, meu fio. Ela tem que ta sempre aberta pra recebe a chuva do conhecimento que desce do alto, uai. Se ocê fecha sua cabeça ocê restringe a sua visão e cumeça a ver o outro como um inimigo. Mas num há inimigo, há sim infinitas possibilidades. A diversidade tumbém num é ameaça, é riqueza. A natureza é diversa. Os seres humanos tumbém são diversos e num há como obrigar os otros a pensar como nóis ou proibi-los de expressar a riqueza que trazem dentro de si. A unidade está aí, em sabermos que a diversidade é riqueza e não ameaça. Portanto é bom nóis praticar ir pro campo do Vô Gonda pra aprender a se engrandecer com aquilo que é diferente, com aquilo que mexe com minhas crenças sobre o que é a verdade, sobre o que é certo e errado. O aprendizado e crescimento só acontecem quando aceitamos desestabilizar nossas crenças. Do contrário ocê vai ficar sempre na mesma porcaria, querendo controlar o que os otros dizem, o que os otros pensam, o que eles fazem. Abre esse guarda chuva, minha fia. Num fica fechada no seu mundinho, não. Pára de vê certo e errado, ninguém é ameaça, não. Mas colocar nossas crenças em suspensão pra ouvir os otros é conflitante, pruque ninguém gosta de ficar sem chão, sem base. Porém é aí que haverá o crescimento, é aí que ampliamos as possibilidades de crescimento interior. Percebe quando alguém é diferente e começa a se expressar, logo logo nossas crenças começam a enquadrar a pessoa dentro dos nossos limites:

           - Ah, olha só o pensamento do fulano, só quer ganhar dinheiro. Ele fala pra essa gente que ta perdida. É um comerciante. É isso, é aquilo.

             Relaxa, minha nega, aproveita o momento, aproveita a vida sem ficar emitindo pareceres, julgamentos sobre os otros. Aprende a viver bem, relaxado, descansado. Se o otro ta falando, alguma coisa presta ali. Aprende a num bloquear sua cabeça com seus conceitos do que é certo ou errado. Retira alguma virtude ou alguma idéia pra ocê se engrandecer tumbém. Ocê num tem toda a verdade. É perciso visitar o campo da unidade do Vô Gonda. Ocê topa? O campo da unidade é capaz de transformar nossas vidas, pruque é o campo do coração. Nóis tem tantas palavras pra definir as coisas, mais as coisas num são definidas pelo coração. Ele num define, ele num ta interessado em como algo deveria ser. Ele simplesmente ta presente, envolvendo com a sua energia tanto o que é bão como o que é ruim. Sim, minha fia, pro coração num há julgamento de certo ou errado. Eu Sou quem eu sou, e isso é suficiente. Ocê é quem é, isso tumbém é suficiente. Pelo coração nóis tá aqui pra expressar e manifestar alegria, pois da alegria fomos criados, da alegria dependemos e para a alegria voltaremos. Na vida há momentos esquecidos, momentos num lembrados, pruque inconscientes da alegria presente. Somos, ansim, chamados a aceitar quem somos, simplesmente pruque somos lindos e especiais, do jeito que somos. O coração, novamente, num ta interessado em como algo deveria ser, num há julgamento nele. Ele se importa com o que é real, em todas as suas expressões. Ocê é lindo do jeito que é, simplesmente por ser quem ocê é. Num há julgamento, num há interesse em como ocê deveria ser. O coração tá na realidade, envolvendo-o, trazendo ocê para este momento, e assegurando-lhe o quanto ocê é especial por ser quem ocê é.

Mãe Preta si dispedi dizendo aos filhos: muita paz!

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