sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Mãe Preta fala aos filho: Eu Sou como Eu Sou




“Ouço o cara que nasceu da flor
Ouço o cara que nasceu da flor
Cantar, Cantar
E no seu canto ouço só amor...” 
Nenung

              Uai, minha gente negra, branca, mulata, amarela, saravá diz a Mãe Preta. Quanta gente bunita hoje. Tá tudo bunito di tão bão, uai. Quem aqui consegue ser o que é, hein? Ocês são o que são ou são uma ilusão? Quem aqui consegue ser o que é? Tem neguinho bão com tanta ilusão na cabeça, num é mesmo? Cria um ideal di como sua vida deveria di tá e tenta vestir aquela roupa a todo o custo. Ai, ocê queria ser diferente, é meu fio? 

                - Mãe Preta eu já queria estar formado e profissionalmente bem, mas estou remando tanto que parece que a coisa não anda na minha vida. 

Será que eu serei um bom profissional?
 

                - Tomara que não, meu nego. Quando é que ocê vai colocar os pés no chão, seu sem-vergonha? Tá infeliz pruque quer vestir uma roupa que tá só na tua cabeça? Ocê é o que é, meu neguinho. A felicidade num tem nada que ver com o papel que ocê exerce. A felicidade é a sua alma. Ela é a satisfação. Se conecta com ela, meu fio.


               - Mãe Preta, eu tenho muita raiva e ódio dentro de mim e me sinto envergonhado perante Deus. Acho até que Ele não gosta de mim. Será que eu serei salvo?


              - Tomara que não, meu fio. Ocê é um sem-vergonha que vive iludido com qualquer coisa que colocam na sua cabeça, meu nego. Ocê acha que Deus se importa com ocê? Quando é qui ocê vai se dar importância e parar de se preocupar com ilusão? Hein, meu fio? Quando é que ocê vai ser o que é e viver amando o seu coração? Vai ficar pelo resto da vida querendo satisfazer as minhoca que tão na sua cabeça, é isso?


               - Mãe Preta, eu queria ser perfeito, atingir a libertação dos vícios, pois só assim serei amado por Deus. Mas parece que não consigo me libertar.


              - Bando de zebu, mesmo. Uai, sô, quando é que esses zebus vão parar de criar ilusão. Ocês querem ser o que num sabem nem o que é? Ocê sabe o que é perfeição, meu fio? Ocê fica tentando vestir uma roupa que ta só na sua cabeça, uai. Eu quero sabe se ocês conseguem ser quem ocês são? Eu quero sabe se ocês conseguem se amar e se apoiar do jeito que são? Eu quero saber se ocês conseguem gostar de si do jeito que ocês são, com as porquera que tem? Hein, seu bando di chupa-cabra, ocês conseguem viver bem com ocês mesmo e se aceita do jeito que são? Ou tão si culpando pruque queriam ser diferente? Tão querendo vestir a roupa do “deveria ser diferente”? Eu vai dar um remedinho pra ocês ficar bem bão. Lasca aquela varinha verde, minha fia, e traz aqui pra Mãe Preta.


                - O que você vai fazer, Mãe Preta?


               - Baixa as calça, meu fio?


                - Ai, Mãe Preta, cuidado pra não me doer.


               - Essa é pra ocê se lembrar que Deus ama ocê completamente do jeito que ocê é.


               - Ai, Mãe Preta, ui, ui, ui.


               - E essa é pra ocê se amar, se aceitar, gostar de si, e estar satisfeito consigo mesmo tendo as porquera que tem.


               - Ai, ui ui ui ui, Mãe Preta.


               - E essa última é pra ocê lembrar que ocê é uma alma divina criada à imagem e semelhança de Deus e que percisa amar e apoiar a si mesmo.


               - Ai, ui... essa não doeu tanto, Mãe Preta.


Oxalá, meus fio. As veis só assim pra ocês pará de viver fora do coração de ocês.

Mãe Preta se dispedi dizando: muita paz!

 

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