sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O LIVRO DA NATUREZA


       
          O LIVRO DA NATUREZA



                     Minha luta particular levou-me a bater de porta em porta. Convicto, à princípio, busquei a ciência comum, a fim de dar término aos problemas de minha saúde. 
              Desiludido, experimentei os limites e ilusões que o deserto da indústria química e tecnológica impunham à medicina convencional, enquanto via surgir o falecimento inequívoco de meus órgãos.
               Da cama em que me encontrava, conseguia ver o céu azul e a grandeza do infinito. Nesse instante, pousou na janela do quarto um pequenino beijo flor. Lembrei-me rapidamente que aquele pássaro era considerado como sendo sagrado na tradição de nossos índios Guaranis. Surpreendido olhei aquele ser encantador. Sua expressão sugeria-me uma delicadeza que há tempos eu havia esquecido. Foi então que estendi o olhar um pouco mais para além e pude notar o extenso bosque de árvores verdes e frondosas que se erguia, sobranceiro, no fundo do terreno.
              Aquela visão dos vários matizes de verde provocou euforia em meu estado de enfermo comum e desenganado. Indagações profundas e quase filosóficas invadiram-me,  ressuscitando o espírito que em mim ainda existia. Era como se uma corrente de vida houvesse me resgatado, repentinamente... 
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          Anjo da Alegria desce à Terra e derrama beleza e prazer sobre todos os filhos da Mãe Terrena e do Pai Celestial.

        E saireis para os campos de flores depois da chuva e rendereis graças a vossa Mãe Terrena pelo suave aroma das florescências.

         O Livro da Natureza sempre foi um manuscrito sagrado. Olha para as flores e louva quem as fez. Elas não têm outro propósito senão o de trazer alegria ao coração dos seres humanos. De certa forma, nos falam sobre algo que buscamos. Falam da poesia sempre presente. Ajudam-nos a recordar a matriz da vida. Todos viemos de uma fonte de alegria, beleza e encantamento, e carregamos parte dela dentro de nós mesmos, por mais que, às vezes, estejamos nos sentindo tristes ou desalentados.

           Até então, eu vivera na Terra como hóspede enfermo de um palácio brilhante, tão extremamente preocupado comigo mesmo, que me tornara incapaz de anotar deslumbramentos e maravilhas. Vivia à feição do caramujo, segregado na concha, impermeável aos grandiosos espetáculos da Natureza, rastejando no lodo. No entanto, agora já não há mais interesses isolados. Conquistei, pouco a pouco, o júbilo de escutar a Natureza e seus ensinamentos misteriosos, que se verificam, quase sempre, de maneira estranha: eu, sozinho, com Ela, recebendo lições sem cátedras visíveis e ouvindo vastas dissertações sem palavras articuladas, no grande silêncio das coisas.

               Abatei-vos, ó céus, lá de cima, e deixai que os céus derramem felicidade. Deixai o povo da tristeza sair com alegria e ser conduzido com paz, porque o choro pode durar a noite inteira, mas a alegria chega de manhã.
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