domingo, 22 de maio de 2011

Mãe Preta fala aos filho: zóia pra dentro



               Que tarde mais bão essa que nóis resolveu se encontrar, minha gente. Ocês gostam de tá presente nas coisas que ocês fazem, num é mesmo? É bão quando ocê faz as coisas num estado de concentração, de atenção. Isto é um estado de presença de espírito, meu fio. Ocê tá ouvindo? Ocê tá aqui ou tá com a cabeça longe? Hein, meu fio? Quanto mais nóis vai aprendendo quem nóis somos, mais nóis consegue ir ativando esse centro de luz e força que existe dentro de cada um. E à medida que ocê ativa o seu centro de poder e força, ou seja, quem ocê verdadeiramente é, mais vão sendo liberadas emoções presas muito antigas, emoções de medo e dor. Ocê pode até pensar que está caminhando pro lado errado, mas num tá não. Ocê tá se curando de dentro pra fora. Por isso, é bão ocê lembrar que ocê é luz, minha fia. Ocê já sabia disso, num é mesmo? Só que ocê num é qualquer luz. Ocê é uma luz poderosa, divina, encantadora, maravilhosa, uai. Ocê pensou por tanto tempo que era esse corpo, mas ocê num é ele não. Ele é somente um aspecto seu. E um aspecto muito limitado.
        
             - Aí Mãe Preta, eu não gosto dessas filosofias que diz que nós somos luz. Eu gosto das coisas práticas, de resolver as coisas, de trabalhar.
        
              - Uai, minha fia, que coisa mais bão ocê tá falando. Normalmente ocê fica sempre quietinha, calada, só escutando. Agora escolheu se manifestar. Que bão. Isso é muito bão. É tão bão que é bão. Mãe Preta num gosta quando as pessoas parecem uma porta. Mãe Preta gosta da alegria, gosta da diversão. Isso é muito bão. Ocê tem toda razão, minha fia. Trabalhar, resolver as coisas, ser prática, tudo isso é o melhor. Mas fora isso tudo, nóis precisamos tirar um tempinho pra descobrir quem nóis realmente é.
        
              - Mas eu sei quem eu sou. Eu sou a Jurema Garcia!
        
               - Vixe, minha fia. Esse é o nome que colocaram no seu corpo. E ocê se identificou tanto com ele que a sua auto-estima tá todinha voltada pra fora, minha fia. Imagina se o seu corpo num se enquadrar nos modelos de beleza, higiene e saúde, que a sociedade erigiu como bons e corretos pros seres humanos seguir? E se ocê num conseguir se enquadrar dentro dos padrões e modelos de conduta e comportamento também estabelecidos socialmente? O que é bão fazer na sua idade, ou que profissão e relacionamentos ocê deveria ter. Ocê certamente acharia que há algo errado com ocê, caso num se enquadrasse dentro destes padrões e idéias que vigoram na cabeça dos homens. Tem muita gente assim por aí, achando que há algo de errado com elas. Ficam se culpando por não conseguirem vestir essas camisas de força, num é mesmo?
        
            - Mas eu consigo, Mãe Preta, e me sinto muito bem.
        
            - Até quando, minha fia? Até quando ocê vai se apoiar nas migalhas que vem de fora? Hein, minha fia? E se ocê ficar sem relacionamento? E se a sua saúde falhar e seus amigos forem embora? E se de uma hora pra outra todas as coisas óbvias da sua vida se desmoronarem? Até quando ocê vai ficar fugindo do seu medo de ficar sozinha? Eu conheço ocê, minha fia, e é bão ocê começar a se lembrar que ocê é muito maior que esse corpo medíocre e pobre. Ocê é poderosa, divina, maravilhosa. É o próprio reflexo de Deus, minha fia. Zóia pra dentro. Apóia a sua consciência no seu coração. Ali existe uma sabedoria e um conhecimento inato que vai lhe ajudar a se curar de todas as dores pelas quais ocê passou.

            Mãe Preta se despedi dizendo: muita paz!  



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